Um blog sobre minha vida pacata e muitas vezes criticada

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24 de set. de 2014

Política externa na Era dos Impérios Modernos


Como tudo que fazemos nesse blog, não temos nome como autoridades científicas para dissertar com certeza a respeito de política. Não somos cientistas políticos (pelo menos não o sou por enquanto), mas como seres humanos somos parte dessa "prisão" conhecida como sociedade, e podemos ser críticos a respeito de nosso mundo, desde que aceitando nossos erros (essa talvez seja a parte mais complexa para alguns).
Política é como sempre digo, a velha faca de dois gumes. Na mão do açougueiro certo é precisa como uma flecha no algo; nas mãos de outros entretanto, se torna apenas um instrumento de morte. E é isso o nosso tópico da noite: imperialismo do século XXI.

O "imperialismo" como concepção de minha carga histórica e demais, sempre existiu. Sempre um grupo tentou explorar o outro para lucro próprio, seja uma classe sobre outra ou uma etnia sobre outra. Passemos a chamar isso de "imperialismo". Impérios do passado foram nossos modelos de hegemonia por muito tempo, a idéia de possuir o território é erótica no poder. Foi a época dos primeiros senhores do mundo (egípcios, babilônicos, chineses, persas, gregos, romanos, etc), sua hegemonia econômica, cultural e militar ainda é reflexo nos dias de hoje, clássico exemplo seria até mesmo nossa própria lingua. Influenciada pelo romanos e gregos. Suas instituições bem como várias outras conforme o mundo foi-se desbravando tiveram influencia de todos os locais e hoje são vistas com naturalidade. O "imperialismo" sempre existiu, se não de uma forma, de outro.
Poderiamos dissertar sobre o imperialismo medieval com a hegemonia religiosa da cristandade e islâmica, sobre o imperialismo político dos senhores feudais, hegemonia cultural que a igreja exercia sobre a primitiva academia da época. Dissertar sobre o imperialismo mercantilista da época dos descobrimentos, atrás de metais preciosos para que uma nação se tornasse mais poderosa. Hegemonia colonial de certas regiões (como foi o caso da Espanha e Portugal por muito tempo); o imperialismo industrial que com o desenvolvimento do modelo capitalista de produção nos permitiu o que nos levou até nossa concepção oficial do que é o imperialismo.

O mundo não mudou muito, mesmo após o fim dos "impérios" e a morte da Liga das Nações. Durante a Guerra Fria havia dois grandes impérios ideológicos: a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas e suas tropas do Pacto de Varsóvia  que declaravam espalhar o comunismo para o progresso do mundo, e do outro lado do ring os Estados Unidos da América e sua maravilhosa OTAN, espalhando capitalismo, liberdade e democrácia para o mundo.
Ambos praticaram  o imperialismo em sua melhor forma: exerceram desde o ponto de vista militar como econômico. A URSS por exemplo bancava Cuba após a Revolução Cubana comprando o açúcar dos mesmos a preços inflacionários para manter sua "base avançada" na América Latina. Em contrapartida sempre financiaram movimentos radicais para a instalações de governos pró-URSS e quando um de seus fantoches passava por uma conturbação política (cita-se aqui exemplo claro, Afeganistão e Hungria) não perderam tempo em utilizar-se de seu braço armado para manter seus peões no local. Os USA igualmente não foram muito longe, seu imperialismo promoveu praticamente todas as ditaduras de nós latinos, promovendo reconhecimento para governos pró-USA que lhes ajuda-se de algum modo a "ameaça vermelha". Como o Brasil era uma potência regionalista, que melhor exemplo que nós? Tenha o Brasil e você tem quase que toda a América Latina. Coisa que fizeram eficientemente, ignorando todas as questões morais. Armando também seu atual inimigo, o "Terror". Al-Quaeda foi um movimento de resistência a ocupação soviética, bancado pelos USA. Houve uma tentativa de uma guerrilha financiada pelos US para invadir a Baia dos Porcos em Cuba para destronar Fidel e seus colegas. Falhou entretanto.  Do ponto de vista econômico, literalmente financiou a reconstrução de países inteiros após a 2° Guerra, o que permitiu-lhes utilizar-se de seu imperialismo econômico.
Vindo de duas potências diferentes, como elementos podem ser tão iguais? Simples: política externa imperialista é sempre igual.

Atualmente, depois da Guerra Fria dizemos que o mundo é multipolar. Isso é verdade e não é ao mesmo tempo. Desafiar um país grande nunca é um movimento seguro, até mesmo para outros países fortes. Clássico exemplo é a ocupação russa da Crimeia, sanções que se quer tocam os pés de Vladimir Putin e que ao invés ajudarem só pioram pois agora o gás está mais complexo e Vladimir está vindo até nós atrás de apoio já que a Europa se voltou contra ele. Isso faz parte da política imperialista russa, que tinha um governo a seu favor e foi derrubado por um governo que aparentemente seria pró-EU. Respondendo rapidamente, a Rússia recuperou o que um dia foi seu, e os gasodutos bem como o porto de Sebastopol estão seguros nas mãos do grande urso e do General Inverno. As questões morais são discutiveis, mas as questões imperiais são claras: movimento rápido e eficiente, sucesso garantido.

O imperialismo econômico também é presente. Empresas estrangeiras vindo dominar os mercados internos de países mais capengas é um belo exemplo disso (exemplo claro são os produtos americanos em solo mexicano ou os chineses em escala global). Dominação do mercado interno de um país satélite também é uma ótima maneira para forjar seu pequeno império também, mesmo que seja um império financeiro.
O imperialismo militar é exemplo claro do poderio de um país sobre outros. Vamos pegar o exemplo mais criticado: USA e suas cruzadas ao oriente médio. Curiosamente muitas vezes esse braço armado está poluída com motivos econômicos, o que torna o imperialismo algo tão diverso e perigoso em relação a dignidade humana. Sem falar dos nossos lindos senhores mundiais do Conselho de Segurança e seu DIREITO de ter armas nucleares, enquanto os demais, calem-se. Um país que critica tal ação é a Coreia do Norte; por pior que o governo literalmente autocrático de Kim Jong-Un seja, é uma crítica valida e mais do que válida, que escancara facilmente o imperialismo das potenciais.
O imperialismo político muitas vezes é consequência. As vezes o soft power é tão forte que a população vê determinada potência como heróis (Veja, COF COF) e que devem ficar ao lado deles pois é o correto. Isso deixa o governo dos alvos de mãos atadas, ou encaram uma popularidade ruim ou uma revolução pró-Fulano. Pode também ser consequência de domínio econômico do mercado interno de outro país. Onde os produtos do país são tão dependentes da economia do outro que ficamos a mercê de nossos senhores.

Existem tamanhos de impérios, e hoje praticamente qualquer um pode construir seu império pessoal jogando de maneira correta. Nesses "impérios em construção" existe nós, Brasil. Somos potencia regional e nossa posição mundial é de destaque. Mesmo com nossos problemas sociais o país é forte. Temos um pequeno império regional, que desde Pedro II mostrou-se tão imperialista quanto os britânicos, franceses, espanhóis e afins. O 5° maior país da Terra talvez não peite uma EU ou USA tão diretamente, mas nas Américas existem dois dos maiores países da Terra e ambos querem seu pedacinho do mundo. Um já o tinha a bastante tempo, nós estamos recuperando-o após nossa ditadura (financiada por esses mesmos vizinhos do Norte que temos). Hoje você percebe claramente o imperialismo, uma vez que até nós o praticamos. E certamente devem haver elementos suspeitos em algumas atividades (PT comunista, Dilma terrorista, Olavo de Carvalho, Constantino, cof cof...).

Questões morais quanto a um "Império" são sempre possíveis. Um império nos moldes aos quais conhecemos são necessariamente exploratórios, homens e mulheres engravatados tomam decisões que podem fazer pessoas terem sua dignidade humana ferida de diversas formas e níveis. Porém é errado ser um Império? Isso bate na sua moralidade e no seu bom senso. Claramente existem vantagens em ser o centro do mundo; porém existem os mesmos riscos. Romanos aprenderam dolorosamente isso, gregos também, britânicos também bem como aprenderam os espanhóis e portugueses, o NSDAP também. E a lista vai.

Nós ainda vivemos embaixo dos impérios, eles podem apenas ter mudado um pouco em seu modelo operacional. Claramente entretanto, finalizamos essa postagem com o que é relevante na política dos impérios: é vantajoso ser um Império? Sim, claramente. É moralmente aceitável prejudicar a dignidade humana para a manutenção desse império? A partir do ponto que a "dignidade" dos subjulgados prejudicar o monopólio dos satélites, a dignidade humana é secundária.

E é assim, que se cria um império no século XXI.

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