Um blog sobre minha vida pacata e muitas vezes criticada

Um blog sobre minha vida pacata e muitas vezes criticada

17 de ago. de 2012

O Bon Vivant - versão resumida.


O Bon Vivant

Oh! Se deveras devo dizer que minha vida sempre foi um tremendo acumulo de infortúnios, estarei mentindo. Muito ao contrario de infortúnios, sempre vivi bem, muito bem. Sou o que muitos desafortunados chamam de um bom vivant.  Para aqueles leigos, sou um típico homem de jovem idade com grande poder aquisitivo e social. Sempre nas melhores festas e eventos, tudo sem me preocupar com o dinheiro ou minha posição diante ao publico, uma vez que essa é tão fácil de manejar.  Sabe-se muito bem que os bon vivant’s são muitas vezes discriminados, apenas por que temos como pagar ou nos divertir sem nos preocupar com o dia de amanham; quer dizer, até o dia de depois de amanham. Ou seja, aquele que é o próximo dia seguido deste que esta entrando. Compreendez?  Pois, o que é inveja ou ciúme senão uma luz no meio do farol? Uma sombra no meio da noite!? Por que teimam as pessoas em desejar o que é meu? Horas, eu tive todos os meus problemas, claro. Como por exemplo, certa vez na mercearia, comprando meus mantimentos diários, não possuía trocados para um delicioso charuto de origem espanhola, horas, aquela divina marca, lembro-me muito bem de tê-lo provado em um baile, quando conheci Madame Fonsuela Foxtrot. Sim era um nome horrendo, mas deverá mente não combinava com a doce e linda dama a qual tive as oportunidades, de desonrar seu marido. Huhuhu. Não me julguem, sou humano horas! Não sou como vocês trabalhadores de todos os dias, mas, somos todos humanos, apenas alguns merecem uma vida devassa e divertida, enquanto outros merecem uma vida mais esforçada. Às vezes eu invejo sabem? Infelizmente não é somente loucura e diversão, já estou em meus 27 anos, estou velho e temo morrer sozinho. Sabe-se de uma cousa? Eu juro que odeio essa vida que levo. Por que? Alguns devem estar me chamando de todos os piores adjetivos nesse momento, difamando minha família e especialmente a minha querida e doce mãe. Horas, devolvo-lhes com o dobro! Mas, seriamente, para aqueles que ficaram curiosos sobre a história de minha vida tranquila e despreocupada, peguem uma das minhas cadeiras feitas exclusivamente em terras holandesas, vindas em naus gloriosas; nas águas de Mare Nostrum.
Certo dia depois de minhas maravilhosas passeadas por toda a cidade, conheci um pequeno beco, abandonado com grandes folhas e trepadeiras crescendo ao redor de seus muros. Adentrei e esqueci-me completamente que estava anoitecendo, quando tudo ficou completamente negro e não enxerguei um palmo a minha frente, percebi que havia me perdido. Não sei o que me impulsionou, deve ser aquela sensação de que “sou imortal” que os homens, especialmente os vivant’s tem.  Ai de mim, depois que minha visão se acostumou notei que havia entrado em uma sala que apesar de um dia ter sido ser toda mobiliada hoje se encontrava um tremendo aglomerado de negritudes queimadas. Partiu meu coração ao ver aquela coleção de livros. Todos enegrecidos (e todos ao que pude identificar volumes majestosos de obras que nunca consegui comprar) pelas chamas passadas numa antiga estante de livros que por milagres cósmicos e divinos de todo um panteão de deuses, não caiu por terra. Andei e andei, até que me deparei com um enorme poleiro de pássaro sem gaiola. Sim, era a única peça intacta. No topo um lustroso corvo. Penas negras e uma estranha luz lunar entrando intensamente sobre meu amigo penoso. Parei de frente para ele ainda carregando as novas edições de livros que havia adquirido e um jornal com uma semana de atraso (de todas as coisas que mais me deixavam irritado era a incapacidade de existirem jornais mais precisos), fiquei observando-o um tempo. Depois tive coragem para papear com meu novo amigo.
“-Olá bom senhor Corvo. –sorri para este, oferecendo meu jornal a ele – Algum artigo que lhe interesse?”
“ –Ah – respondeu o Corvo sem abrir o bico, apenas fixando o olhar de cigana em mim – o jornal só me traz o tédio. Agradeceria se ai ouve-se alguma edição de Nietzsche ai. O senhor a possui?”
Fiquei pasmo, deixei o jornal e os livros caírem (hoje me arrependo, pois até hoje meu romance tem manchas de fuligem), dei dois passos para trás e bati em uma parede começando a suar frio e com o coração batendo. A ave falara se fosse uma espécie nova eu ficaria mais rico e mais famoso, mas era um corvo! Todos sabiam que corvos não falavam, por um segundo, a chama mal acessa de fé em meu peito pareceu aumentar, pensei em Satanás ou Hades. Em Nietzsche também, pois o amigo plumado parecia gostar, e caia somente entre nós, acredito que combinaria mais com os “C. Corax “ da vida ler esse tipo de filósofo do que ler algo como o digníssimo Tomas Antônio Gonzaga.
“ –Ah – voltou meu amigo penado – acalme-se. Façamos um acordo bom homem. Você arrumara-me algo, que lhe realizo todo e qualquer desejo.”
“ –Primeiramente – respondi, me recompondo e curioso com a proposta de meu estranho amigo – gostaria de saber se és um amigo ou uma amiga. Dependendo desse pedido acho que serei incapaz de...Como posso dizer? Executa-lo. – aqui uma pequena risada que os vivant’z dão quando uma piadinha deliciosamente negra surge em suas cabeças”
O que ocorreu foi doentio, tudo ficou escuro um segundo e logo, bam! Estava de frente ao homem mais belo (e assustador [deuses ouçam-me para que ninguém além de ti saiba desse comentário]) que já conheci em toda minha vida. Ficava sentando no poleiro como se nada se ouve de diferente a uma poltrona, usava uma roupa mais luxuosa que a minha (e veja-te que sou vaidoso). Grandes cabelos negros que chegavam graciosamente aos ombros e escondiam em parte seu rosto que era delicado e totalmente barbeado. Não usava luvas, ou sapatos, todas as unhas dos pés e das mãos estavam pintadas com um denso negro e os olhos azuis claros como o oceano sem fim passavam a ideia da falta de vida como a pele branca como a neve dos Montes Urrais mostrava-me que não era vindo de lugar exótico algum. Por um momento fiquei pasmo com a beleza do Homem-Corvo, ele estalou os dedos  de uma das mãos e voltei a realidade.
“ –Traga-me um exemplar novo e bastante sedutor de Ecce Homo. E realizarei qualquer desejo seu. – ele sorriu, os dentes brancos me deram vontade de agarra-lo – Quanto a isso meu bon vivant, diga-se que não o dispenso. – por sorte suprema eu tinha exatamente o que o Corvo pediu, corri até os livros caídos que comprara e esticara o volume para o mesmo, um pouco coberto de fuligem, mas ele encarou-o estupefato, com um sorriso delicado de satisfação – Você está me galanteando – pegou e não perdeu tempo, começou a lê-lo e falar comigo sem me observar – obrigado bom amigo, que seu humilde companheiro ira realizar para ti?”
Naquele momento milhões de oportunidades surgiram em meus olhos, poderia desejar mais dinheiro, mas seria desejo gasto. Podia desejar ser um rei e poder governas supremo pelos restos de meus dias uma nação. Talvez alguém abaixo de um rei, mas de igualitária importância. Seja como for, as palavras saíram por meus lábios inconscientemente.
“-Quero um dia como uma pessoa comum. – sem me olhar, os dedos dele se ergueram enquanto ele ainda foleava as primeiras paginas que grandiosa obra era. Estalou os dedos erguidos e voltou a segurar o livro com ambas as mãos, jamais me olhando. – Vá, a cobrança é na mesma hora que agora de amanham. – nessa parte fiquei meio confuso, mas ele deveria estar concentrado na leitura, agora para me despedir restou a duvida. Beijava a palma da mão dele ou erguia o chapéu? Demorou pouco até ele erguer a mão e eu beija-la involuntariamente. Pegando meu jornal e livros restantes, sai da casa e me encontrava no mesmo beco ao qual havia entrando antes, mas antes de me retirar pude ouvir a voz de veludo do galanteador  Corvo - A vantagem de ter péssima memória é divertir-se muitas vezes com as mesmas coisas boas como se fosse a primeira vez. – retirei-me para casa.”
No dia seguinte ao acordar percebi que havia perdido tudo e amanhecera em uma casa mal acabada e com roupas piores ainda, abatido por isso, corri pela casa e percebi que não havia comida que sempre comia, apenas um peixe salgado e cheio de moscas na parede. Não posso dizer por quanto tempo corri e me desesperei. Só sei que fiquei nisso e quando notei estava em meu quarto. Aquele maldito estava nas ultimas paginas de seu presente e esperei de quatro no chão desesperado pela minha ruina, o meu “amigo” terminar meu primeiro e provavelmente ultimo presente a ele. Ao fechar o livro, colocou-o no colo e sorriu me observando.
“ –Amanham volto para cobrar a divida. – eu fiquei pasmo como havia acordado e me levantei com tudo”
“-Você disse isso ontem! – respondi, gesticulando furiosamente com os braços – Devolva-me minha vida! Por que não avisou que seria tão difícil?!”
“-Não é meu dever avisar as consequências de seu desejo – ainda sorria, ave nojenta – e quanto ao ontem e amanham, isso é relativo. Tudo ponto de vista, a partir do ponto de meu ponto de vista hoje foi o seu ontem, e meu ontem foi anteontem.  E claro, amanham é o dia depois desse. – eu cai de joelhos na frente dele, juntei as mãos e podia sentir lagrimas correndo por meus olhos, ele queria-me na ruina! Como pude ser tão estupido?! – Implorando agora? Vivant... Que decepcionante visão.”
“ –Clemencia! – gritava – Clemencia bom amigo! Que fizeste a ti além de garantir-te teu livro e uma boa amizade?! Piedade! Lhe rogo!”
Ele tirou de algum lugar um papel bem amassado e com varias coisas escritas, em letras microscópicas. No conjunto, na sua outra mão uma caneta de pena pingando tinta... Uma pena negra. Mandou-me assina-lo. Assinei-o.  Ele sorriu, levantou-se e me deu um beijo na bochecha direita. Mandou-me dormir e levou Ecce Homo com o papel. Ao acordar no dia seguinte acordei-me numa casa mais luxuosa ainda. Sozinho como sempre. E estou aqui como podem ver, na mesma casa a qual acordei, vocês podem ter percebi a obra de Ecce Homo em um dos criados mudos. Eu não contei o pior dessa casa, o pior é toda noite acordar varias vezes com o som ou de passos na sala de baixo, ou com batidas na madeira da porta do quarto... Por isso mantenho a porta e janela fechada. A janela às vezes acorda-me com sons de bicadas no vidro e a cama me acorda pelo fato de simplesmente afundar às vezes em meus pés e algo bem físico encostar-se a minhas pernas. Também posso ouvir versos de algo em alemão antes de encontrar Ecce Homo ao meu lado na manha seguinte.  Simplesmente acordo; coloco o livro em seu lugar; como; saio e depois de festas recolho-me em minha casa, sempre antes das sete da tarde. Dinheiro não é problema para mim, mais dias depois de assinar o papel, encontrei-o ao meu lado sobre o livro. O li.
Não posso concluir nada, pois vivo para ser um bon vivant.
Não posso me casar, pois os bon vivant’s não se prendem a uma mulher.
Não posso ter filhos, pois não tenho se quer uma alma para gerar uma vida.
Nesse ponto eu já estaria rezando para mil deuses, mas não posso acreditar neles, pois religião impede-me de viver devassamente.
E essa é a historia de minha vida, ontem, hoje e amanham. Até o ultimo dia de minha vida mortal ou até o ultimo momento de desejo do Corvo. Agora, se todos vocês puderem fazer-me a gentileza, gostaria que se retirassem que já são 18:30. Obrigado pela visita de todos vocês.
Ah sim, e, por favor, nunca mais voltem. Obrigado.

Viver é realizar. Queridos.



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Autoria de seu querido e amado Nec Mizurian! Nec Mizurian tras a voces o poder dele, pois Nec Mizurian é reencarnação de Machado de Assis! HAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!

3 comentários:

  1. Bom! Muito Bom! Realmente lembrou Poe... mas é Mizurian. Não sabia que tinha essa habilidade toda seu cretino! Pelo visto estou bem atrás de você na maratona pelo Hugo!

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  2. Ei voce ainda achava que eu era pouco cache motherfucker?
    Reservem o Hugo pois os thirians não tem capacidade de vencer os **** (o nome foi censurado para o sucesso da obra)!
    Mas enfim, bueno que gostou, levou o que? Dois dias.. 1 se descontar as pausas... Isso é o resumo, logo posto aqui a versão integral.

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  3. Ficou legal, apenas lhe aconselho a ler novamente e corrigir alguns erros de português.

    Seu conto me lembrou aquelas histórias antigas de lições de vida do qual sempre tem uma pessoa que tinha tudo mais não é feliz de verdade.

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