Como um aspirante a historiador (ou pelo menos uma pessoa que goste de escrever sobre história) existe uma coisa que eu sempre temi a respeito dessa área: não ter uma boa bibliografia. Conforme eu fui me aprofundando em história eu vi que história não era apenas o ato de relator o que ocorreu, mas de até mesmo definir motivos pelo o porque ocorreu. E conforme eu fui explorando filosofia eu aprendi também que não existe verdade absoluta e com história eu apenas vi que ela não existe mesmo. Então eu gosto de seguir a idéia ler o máximo possível de material a respeito e ver os pontos que pareciam principais para tal ato. Isso é algo que em um dos romances de Asimov me trouxe a tona esse medo natural, mais especificamente a série Fundação.
Eu creio que já tenha falado de Fundação aqui no blog por isso vou falar a parte que me lembra esse medo. Foi na cena onde o que se não me engano era um dos bambambam's do Império falava que ele não fazia pesquisas de campo e que apenas fazia a relação de autores diferentes até chegar na conclusão baseado nas notificações que outros autores faziam. Apesar de isso parecer uma pesquisa histórica comum me veio a cabeça o pensamento: é dificiu olhar ao passado, imagine então quando ficarmos cada vez mais distantes dele então.
Eu sempre pensei que é bom para pesquisas históricas ler documentos originais da época (mesmo que eles possam estar impregnados de pensamento da época) então imagine o quanto pode ser dificiu ler os documentos originais mais os autores mais contemporaneos. Imagine isso não em 10, 20 anos...Imagine em 100, 1000, oras 10 mil... Vamos supor como pode ser complicado para um historiador no século XXXV falar sobre a Idade do Bronze! Pense quanta coisa pode ser perdida no meio tempo e quantas escolas de pensamento podem surgir. Quantos renomados trabalhos podem surgir.
Talvez a solução seja se focar em uma determinada área da história, sim isso seria bom de todo modo, porém não ira reduzir meu medo a respeito do "achatamento" da pesquisa histórica. Sobre isso quero fazer um leve exemplo para ilustrar meu medo:
Suponhamos que exista um historiador chamado Kiko. Kiko diferente da história mais complexa, quer apenas nesse caso fazer um trabalho direto aos eventos e não as causas. Sendo assim ele pretende pesquisar sobre a área C. Porém Kiko não é do século XXI. Ele é de muitos anos no futuro, do século XXXV. Por ser mortal ele não tem todo tempo do mundo para ler tudo a respeito então aqui entra a pequena corrente que me causa medo:
Documentos originais da época incluem A,B e D. Os primeiros a falarem sobre C foram E, F, G, H e I. Estes leram os documentos originais. A segunda geração que falou sobre C leram tanto A,B,C como leram E,F,G,H e I; isso gerou a geração A¹, B¹, C¹, D¹, E¹, F¹. Passaram-se várias gerações e chegou-se a Kiko. Kiko vendo tamanha quantidade de informações acabou seguindo a idéia de ler A³,B,³C³,D³,F³,E³, etc ao invés de conferir A¹, B¹, etc. Isso pela quantidade de informações e porque tanto A³ até E³ lerão não as obras de A~F¹, mas sim as obras de A², B², C², etc. Que por sua vez leram as de A¹~F¹ sem consultar A~I.
Essa quebra de "tradição" na minha modeste opinião é bem real e pode ser bem problematica para gerações futuras. Nós literamente perderemos o contato físico e direito com os originais e acabaremos dependendo da visão de alguns derivados sobre os originais. Seriamos a derivação do derivado. E isso me preocupa. Isso pois além de deixar as futuras obras sucetiveis a manipulações (mais do que já são), podem acabar caindo na mesma decadencia academica que ocorreu em Fundação. A pessoa para de fazer o "trabalho de campo".
Claro que poderiamos tentar suprir esse problema com resumos, introduções e versões condensadas, mas novamente, isso é uma obra² sobre uma obra¹ que tentaremos basear nossa obra³ sobre. Então isso me causa uma leve preocupação, até mesmo hoje a quantidade de informações podem ser um pouco densa.
Outra solução seria seguirmos uma escola de pensamento. Porém isso me preocupa também pois nos tornaria um tanto limitrofes. Claro que isso podem também ser medos irracionais e eu posso não entender porra nenhuma de como se faz um trabalho academico, mas sabe...Eu não consigo largar esse medo da cabeça. E como eu disse no exemplo de Kiko. Isso é apenas relatar os fatos, imagine ter de fazer uma obra mais profunda sobre a mudança para que X ter virado Y.
Talvez o ponto aqui é sobre a importancia não só de ler os contemporâneos, mas também os clássicos e até mesmo os originais se possiveis. E como eu disse, do século XXI para o século XXXV pode-se perder muita coisa. Papel detelhora por exemplo e podemos acabar dependendo de réplicas que podem ser tão pouco confiaveis como várias coisas que muita gente chama de "originais".
Isso é só um pequeno pensamento que eu queria compartilhar com vocês e deixar claro esse medo que me assola. Espero que no século XXXV não só tenhamos as coisas do século XXI como até mais, ponho muita fé, mas esse medo não deve me largar por essa vida se não por essa encarnação.

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