Um blog sobre minha vida pacata e muitas vezes criticada

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11 de nov. de 2014

Dos Trópicos - Vantagens e desvantagens de uma América do Sul/Latina Unificada

Por algum motivo esse ano eu tenho me mostrado estranhamente nacionalista. Não aquele nacionalismo tipo "caralho meu país é superior a todo mundo, dominar geral!"...Eu diria que não tão assim ao menos... Acho que a palavra chave não seja nacionalista, talvez seja ambicioso ou esperançoso. Teorias do porque a parte, eu andei pensando e sempre achei que todos tem liberdade de fazerem o que quiserem fazer da vida, e quando o assunto se trata de blocos (sejam econômicos ou militares) eu sempre achei que a América do Sul era o suficiente para por o mundo de joelhos. Talvez seja inocência, mas sejamos sinceros, está na hora de tomar esse continente.
Eu confio na política externa dos USA do mesmo jeito que eu confio no governo ou o banco com o meu dinheiro, então baseado nisso, devíamos NÓS fazer nosso próprio imperialismo. Claro que a idéia de bloco da América Latina pode ser bem útil, mas a questão é que isso já foi tentado e deu errado (Simon Bolivar e sua tentativa frustrada de unir a América Espanhola em um único país), porém agora com o Mercosul e as iniciativas de reforçar relações entre nós latinos parece que abriu novas fronteiras para dominação mundial.
Esse "neobolivarianismo" (que de bolivariano não tem nada) é uma boa aposta para sairmos do emergente e irmos direito para a superpotência e melhor, já em um bloco e com alguma influência. Eu acho que existem motivos bons para nos "unirmos" e fatores mais delicados, vou fazer uma lista abaixo:

 Recursos.

Pró: Eu  sinceramente vejo que talvez uma das poucas coisas que tenham mantido o Brasil de pé diferente de nossos hermanos é a quantidade absurdas de recursos que temos. Nossos hermanos também tem recursos pra dendéu (tipo a Venezuela que faz parte da OPEP...O-P-E-P...), mas sinceramente, como é que não viramos uma África da vida? Vários motivos, mas acho que os recursos naturais são bom exemplo também a ser citado. A América do Sul é basicamente a África 2° das potências industrializadas. Solo bom para se plantar, recursos essenciais para indústrias e um terreno relativamente sem intempéries mortais (tipo USA com tornados eternos ou Japão com o inferno na Terra). Uma utilização correta desses recursos nos tornaria uma China em pequena escala. Fazer indústrias aqui seria batata, especialmente as de base como construção ou refinarias ou até mesmo metalúrgicas e farmacêuticas.

Contras: Nós e nossos hermanos  temos um longo histórico de mal aproveitamento de recursos. Brasil por exemplo, possui uma das duas ÚNICAS minas de Nióbio (detalhe, eu não tenho certeza cê era esse o nome do minério mesmo, fiz uma rápida pesquisa e parece que é nós e o Canadá, a questão é que não sei se é o nióbio ou outro minério) do mundo e nós não aproveitamos seu pleno potencial. Sem falar que não adianta essa riqueza sem a tecnologia para extrai-la ou a qualidade educacional para desenvolver sua plena utilidade capacidade. No caso do Brasil nós leiloamos para os gringos (e ficamos fodidos depois pq políticos pensam no hoje e não no amanhã). É revoltante com todas as palavras, então se quisermos utilizar o pleno poder de nossas coisas temos de resolver a educação e o incentivo, seja ele privado ou público (mas com detalhe, se privado que seja para empresas nacionais e não vendendo o país mais ainda para os gringos). Também existe um sério problema de infraestrutura uma vez que parece que os governos gostam de dificultar as coisas, afinal, todos sabemos que ferrovias podem ser ótimas, igual ao transporte fluvial...O que o governo do Brasil por exemplo faz? ESTRADAS.
Que maldiçãozinha. Sem falar de outro agravente: o tamanho do território. É simplesmente colossal. Claro que ia precisar de algo como energia para promover essa indústria poderosa, mas no fim os dois problemas reais para isso são dois: má educação e falta de estrutura.

Contexto histórico

Pró: Apesar de nossas brigas no passado, a América Latina em geral parece estar mantendo relações estáveis entre seus estados. Algumas questões de soberania em certos trechos é algo delicado, mas a parte disso, parece que as relações tem ocorrido bem. Outro detalhe é que temos um passado comum: todos fomos colônias e de países que ficaram na mesma península e compartilham um passado em comum. Oras, até a mesma coroa nos governou por um tempo. Sem falar de nosso histórico de golpes, instabilidade, vulnerabilidade, etc, etc, etc... Ou seja... Somos praticamente iguais nisso! Não a como não solidarizarmos uns com os outros.

Contras: Apesar de termos um passado em comum, nossa homogeneidade é completamente inexistente. Nossas culturas não batem umas com as outras muitas vezes e até nossos costumes podem atritar (exemplo besta, mas valido: futbol brasileiro vs futbol argentino; exemplo besta 2°: Argentina se achando a Europa da América). Outro fator preocupante é que alguns países latinos possuem movimentos guerrilheiros, como as FARC e o Movimento Zapatista. Nossas fronteiras já não são a coisa mais bem guardada do mundo, e na minha concepção, um bloco deve orbitar ao redor de duas coisas para ser no mínimo, justo e ter o mínimo de sucesso: livre-mercado (isso implica tarifas zero sobre produtos) e livre circulação. Mais ou menos como uma União Europeia da vida. Nisso, as já fracas fronteiras poderiam se tornar um caos e se algum país que por exemplo, fosse reforçar suas fronteiras pelo perigo de ameaças as quais não tem nada haver, poderia atrair as dores ao invés de afasta-las e alastrar o já alastrado problema guerrilheiro. Claramente poderiam se encontrar soluções pacíficas para os movimentos e até mesmo o tráfico de drogas, mas não parece ser em um futuro muito próximo, até com tantas manifestações pedindo melhoras a todos os lados. E se a movimentação se tornasse livre, não demoraria muito até emigrações maciças em países de destaque, como o caso de nossos infinitos imigrantes haitianos e colombianos no Brasil. Claro que, por mais que seja nosso dever como potência emergente e como humanos ajudar essas pessoas, tal coisa poderia causar (e já causa) sérios choques culturais e problemas econômicos que nos tornariam a segunda Europa, e no sentido ruim da palavra.

Economia
Prós: Historicamente a economia foi sempre baseada na idéia de mercado externo aqui nas colônias. Sinais claro disso são os latifúndios que estão por toda América Latina e seus principais tipos de plantações: açúcar, café, trigo, soja,  etc. Tudo com destino aos países industrializados que já utilizam suas plantações mais para consumo interno que para externo. Basicamente somos o celeiro do mundo. Essa similaridade não só reforça nossa "identidade" latina como possibilita uma enorme intercambio tecnológico, uma vez que cada um terá sua experiência com determinados produtos. Outro fator é que agora nessa época de globalização, podemos pensar que os investidores estrangeiros estarão atrás de mais locais para instalar suas multinacionais, e por mais que me doa admitir, temos um enorme potencial para atrai-los. Exemplo claro de necessidades seria o fato de que a crise na Ucrânia fez a Rússia vir atrás de alimentos brasileiros e tentar reforçar relações com nós, subs. Essa relativa irmandade econômica pode ser um outro modo de tentar arrumar uma fatia do mercado mundial, bem como dividir tecnologias e saberes.

Contras: Bolivar nos adverteu sobre o que se tornaria a América Latina espanhola sem se unificar: estados pequenos, monoculturais, fracos e irrelevantes politicamente. O Brasil pode ter escapado dessa formula, mas formar um bloco com nossos parentes, não poderiamos ignorar esse aspecto. Sem falar do fato de fazerem basicamente os mesmos produtos, haveria competição dentro do próprio bloco. O que levaria a várias desavenças e tentativa internas de sabotagem.


Questões Delicadas


Número 1°: Quem manda?
Essa é uma ótima pergunta na verdade, e certamente causaria um inferno. Sendo sincero eu acho que existem apenas dois capazes de concorrer para se tornarem os mandachuvas desse bloco (SE englobar a América Central): México ou Brasil. Caso contrário e não incluamos a América Central, eu apostaria em Brasil e Chile. Infelizmente não é meramente um ponto nacionalista de minha parte, o Brasil é e sempre foi a potência regional. Durante o Império nós praticamente tivemos dedo em todos os assuntos que envolviam o destino sulista e na Ditadura nós acabamos tendo um dos governos que mais servil de modelo para as outras ditaduras. Na prática, o Brasil sempre foi a visão de país modelo para os latinos. E o fato de o Brasil ser uma ameaça de ter o poder já causa atrito. Temos o maior exército da região e somos a 8° economia mundial, com destaques internacionais e mesmo com nossas crises políticas em ano de eleições, temos uma vantagem que outros até não tem: não temos movimentos guerrilheiros como FARC ou os Zapatistas (não, MST não conta e nunca ira contar). Já temos atrito na verdade, Brasil querendo cadeira no conselho de segurança para representar a América Latina e sendo barrado pelo México e Argentina (cry some more Argentina...).
O "colosso" brasileiro seria algo bem incomodo para os vizinhos. Especialmente pois nos tornaria um USA da América Latina quando o ponto seria mais ser como o baluarte contra o domínio dos USA ou das potências europeias. Até mesmo a China pode muito bem se tornar um perigo no futuro.

Número 2°: Leis do bloco.
Como eu citei no começo, existem duas coisas que eu considero essenciais para se manter um bloco estável e sem  abuso pela parte de ninguém: livre circulação de pessoas e produtos. A questão também deve ser levada a serviços e talvez até mesmo em questões militares se formos tão unidos assim. Criar leis que caiam num consenso comum seria dificiu, talvez impossível até. Alguns países proíbem coisas enquanto outros permitem (Uruguai é exemplo, cassinos e maconha), e a pergunta é se essas leis de bloco irão beneficiar mais um lado do que outro, algo que poderia também minar as relações.

Número 3°: O bloco será justo?
Como eu disse duas vezes e repito novamente, se o bloco não for no mínimo justo ou passar uma idéia de justiça, esse bloco pode muito bem nascer condenado. Não precisa ir longe para vermos como as relações na América Latina são desiguais em termos diplomáticos. Na verdade, o Brasil já é acusado de ser um imperialista na região. Nacionalismos a parte, essa desigualdade mina relações e pode comprometer o bloco. E temos um assunto delicado a tratar.

O Fator Brasil
É histórico é fato. O Brasil sempre teve a dominância da região e seriamos os primeiros a ter a capacidade de manter a hegemonia e influencia nesse bloco latino. Isso irritaria nossos colegas americanos que historicamente, amam se aproveitar dos outros países da América (incluindo nós). Somos meio que o irmão mais velho desses países e como somos um dos maiores exércitos do mundo, eles certamente estariam olhando para nós muito mais como um colaborador, mas meio que a OTAN da América Latina. Alguns fatores colocam o Brasil em uma situação mais delicada ainda:

O BRICS.
O Brasil esse ano criou sua própria FMI. Nós fazemos parte das 5 economias emergentes e agora temos relações fortes com nossos amigos de outros continentes. Esse fato é outra prova de que o Brasil parece predominar nas relações internacionais entre os latinos. No BRICS já cutucamos os outros blocos e criando nossa própria FMI, só cutuca mais ainda sem falar dos outros países.

Brother's Sam.
Sinceramente, eu não vejo um bloco como esse (ainda mais arriscando englobar a América Central) sem provocar os USA. Nesse caso os USA iriam ficar cabreiros com nós, e graças a aquela doutrina Bush que meu maravilhoso candidado Obama continua seguindo, eu não confio na política deles de modo algum. Já bastou a espionagem que o Snowden nos mostrou. Como o Hobsbawn disse, aparentemente estamos numa época de decadencia americana (os motivos podem ser vários), seria doloroso demais para o orgulho dos americanos ver um macaco peludo do Sul se erguer e tomar tudo que foi deles em menos de 300 anos.

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Sinceramente, esses são os pontos que eu escolhi falar. Acho que deveriamos muito investir nesse novo bloco do BRICS e fortalecer o Mercosul para competir com a NATO por exemplo. Porque se tivermos sucesso, podemos muito bem roubar o lugar dos USA. Seria louco ver o Brasil dominando o bloco do Sul com ou sem a América Central e ai criarmos tudo que temos direito como super-potência: nossa própria NATO, nosso próprio bloco e nossa própria FMI (que já temos em teoria). Sinceramente, como os grandes caem correto?

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