A terra de Yinmmir era um mundo sem lei, nenhum reino com exceção do antigo Reino de Hggar havia durado mais que algumas viradas de sol. Yinmmir foi por muito tempo nada mais que uma série de assentamentos das mais diversas raças, que acabavam sendo umas quase completamente independentes das outras. É uma terra onde nepotismo, corrupção, individualismo são algumas das leis obrigatórias para se manter no mínimo o pouco que se tem. Nessa terra esquecida a muito tempo pelos deuses e pelos anais da história. Por trinta e nove anos a guerra foi a única coisa que reinou em completa onipresença naquela terra, por diversos motivos: sangue, ouro, terras, ganancia pura ou apenas o sentimento simples de querer ver o sangue jorrar. Durante vinte anos dos trinta e nove anos viveu um jovem conhecido como Angmar, nascido de uma vila qualquer, pobre como um qualquer, cheio de malícia como um qualquer. Desesperado por dinheiro como todos os habitantes dessa terra maldita, se juntou no exército de um dos mais que temporários lideres de seu assentamento e após uma derrota desastrosa, Angmar conseguiu fugir, perdeu tudo, seu assentamento, seus pertences, tudo que havia conhecido havia sumido. Deixado de existir. Andando por sete dias decidiu desistir da vida caindo do mais alto dos precipícios, atirou-se apenas ossos e pele e caiu no rio negro que corria-se.
Yinmmir poderia ter sida abandonada por seus deuses, mas não por seus demônios. O corpo quase desfalecido de Angmar foi encontrado na Baia das Tormentas, um lugar bem conhecido por suas morsas putrefactas com hábitos necrofagos, por essa razão devem ter deixado Angmar em paz, seus bigodes sujos e dentes rachados podiam provavelmente sentir ainda o mais leve pulsar de vida em Angmar. Mesmo assim não o deixava de faze-lo estar cercado por morsas, esperando o ultimo sopro de vida esvair-se para devorarem-lhe até os ossos. Foi assim que Angmar ergueu debilmente as pálpebras... A morte no rio jamais viria pois seria devorado violentamente pelas morsas da Baia das Tormentas. Foi quando a onda de água negra lhe engoliu, sem visão, quase engasgando com o gosto de carne podre e sal que o mar lhe trazia. Quando a visão voltou sem ele se esforçar de modo algum, a sua frente notou primeiramente que as morsas se afastavam em pânico, seus pedaços de carne pendurados caindo na areia conforme sua forma gorda se agitava. Logo notou os dois estranhos formatos bem próximos aos seus olhos, assemelhavam-se a pés... Mas eram diferentes dos que possuía ou que via durante sua vida. Eram sem calos ou cortes, sem rachaduras ou duros. Eram na verdade lisos, de unhas aparentemente muito melhor cuidadas que qualquer nobre por Yinmmir, e estavam sobre algum tipo de plataforma negra, era notável pois eram brancos com delicados riscos azuis através da pele. Angmar podia se sentir ser levantado contra sua vontade, não por alguém ou algo, mas simplesmente ia erguendo-se. Logo ficou no ar, o mais ereto que seu controlador desejava.
A Marquesa Demoníaca Diinn era tão verdadeira quanto as lendas contadas por todos os povos de Yinmmir. Sua pele tão branca como a Tundra-Mancha-Avermelhada, suas veias azuis como as cores da serpente-trraffiana, coberta por uma roupa de penas negras, dizem que eram de todas as aves malignas que um dia existiram em Yinmmir.
" -Mais que trapo de humano... - disse a marquesa, em sua voz gozação - Você não dá devido valor a sua vida, então talvez eu possa lhe usar melhor..."
O sorriso que aparecia entre os lábios pretos como a noite da demônia tinham a presas protuberantes de um vampiro, mas diferente destas criaturas infernais, ela era marquesa de uma raça muito superior. Quanto ao resto da história se é sabido, Angmar se tornou o paladino negro que é hoje, usando a armadura negra e machado de duas facetas que lhe foram proporcionados pelos demônios de Yinmmir. Angmar se tornou não só escravo de Diinn, mas de suas próprias ambições mortais, e hoje seu nome é a única coisa que resta de seu passado, pois também se diz que seu ultimo desejo como mortal livre foi erradicar sua casa do mapa, pois se não podia ser a ele o domínio de tudo que lá havia, não seria de ninguém mais. E demônios são orgulhosos, caso a lenda seja verdade, esse assentamento foi o primeiro ponto onde seu reino negro começou...
Após a longa história, a garganta do ancião foi beijado pelo aço enferrujado de um dos salteadores. Não morreu tão rápido quanto gostaria, mas sua filha provavelmente viveria, e sangraria de outro local. Rindo um para o outro perto de onde a jovem estava amarrotada, os três bandoleiros já iam desfazendo os nós dos trapos que cobriam seus farrapos quando a voz seguida de um vento frio passou pela orelha direita do líder dos três salteadores.
" -Não se preocupem... - definitivamente era uma voz de mulher, uma voz fria! E principalmente, cheia de gozação.... - Não são vocês que violaram essa donzela de pés sujos..."
Virando-se aos poucos, as pupilas dilataram ao ver o local onde estava a jovem cativa ser substituído por aquela névoa negra densa, que ofuscava até mesmo a fogueira a poucos centímetros. O cavalo de crina e olhos vermelhos era coberto pela barda de algodão e aço. Jamais houve aquilo, nem mesmo no reinado Hggar. Montado no cavalo, havia o cavaleiro negro segurando com uma mão um grande machado de duas faces. Atrás de si a marquesa de lendas abraçava-lhe a cintura, sorrindo com desdém para os bandoleiros e alisando um dos protuberantes caninos, e na frente de ambos havia a jovem, amarrada como antes, em soluços e pálida provavelmente de pânico de sair das mãos de três mortais para cair nas mãos de dois imortais com intenções iguais. O suor frio do líder dos salteadores caiu em gostas transparentes na grama maltratada da floresta que levava até outro assentamento miserável. Logo as gotas transparentes caíram com gotas vermelhas. Os dois salteadores restantes saiam correndo em gritos de pânico, sem calças e sem direção. Atrás dele, a névoa negra engolia parcialmente a figura e um cavalo empinando, com seu cavaleiro de armadura negra sacudindo um machado de duas faces com sangue em uma de suas laminas, mas a névoa não escondia sua risada profunda, cheia de malícia e perversão quando o som do galope o relinchar mais agudo que aquela terra havia presenciado cortou a noite.
O ancião antes de morrer havia esquecido de comentar que parte da lenda contava que a névoa negra era o sinal de Angmar, e se os rumores eram verdade, a névoa estava consumindo o mundo, Yinmmir se tornaria a noite eterna. Assinalando assim o começo de outro reino; um reino negro de demônios, O Reino Negro do Paladino das Trevas, Angmar.
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Eu estava lendo uma fanfiction de Mirai Nikki quando resolvi escrever isso. A vida tem modos estranhos de lhe inspirar...
Coleção Séries que Jamais Acabarei.
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